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“EI DEAD FISH, VAI TOMAR NO CU!” 34 ANOS DE DEAD FISH NO BDZ - Campinas/SP

  • Andre Torres
  • 7 de jul. de 2025
  • 5 min de leitura

O domingo do dia 06 de julho de 2025 poderia ser como sempre é para qualquer cidade interiorana do sudeste do Brasil: Pacato, com alguns saindo, outros chegando e outros ficando em casa, uma equação que resulta em uma cidade silenciosa e tranquila. Mas a noite deste domingo em particular, contrariou todas as expectativas e foi bem diferente para alguns que estavam no distrito de Barão Geraldo em Campinas/SP. O lugar: BDZ (Ou Bar do Zé), casa que outrora recebeu de forma mais recorrente grandes nomes do punk rock/hardcore. A ocasião: o show do Dead Fish, grupo que desembarcou na cidade para apresentar o set da turnê de 34 anos de banda.

 

O Dead Fish é uma verdadeira instituição do hardcore melódico no Brasil, digo isso com certa propriedade pois acompanho a banda desde os tempos de Zero e Um e assisti ao vivo pela primeira vez em 2010 quando o grupo desembarcou em Manaus/AM na turnê do álbum “Contra Todos”. Naquele show de 2010, a banda tinha outra formação, mas a energia de seus shows já era insana (Regada a rodas de pôgo, pulos e stage dive) do princípio ao fim das apresentações, pura endorfina!

 

Passados 15 anos, essa energia presente em seus shows só multiplicou e isso pôde ser constatado no show realizado no BDZ em Campinas/SP.  Na plateia, diferentes gerações aguardavam ansiosamente a subida da banda ao pequeno palco do BDZ o que ocorreu pontualmente as 20:30. Todos já estavam prontos para puxar o famoso coro que acompanha a banda há anos “Ei Dead Fish, vai tom...” quando o vocalista Rodrigo Lima interrompeu: “Calma, deixa eu só dar os avisos iniciais e depois a gente faz aquele amor gostoso...” e após um breve discurso inicial a banda iniciou seu set com “A Urgência”, música que abre seu bem-sucedido álbum Zero e Um de 2003 e que há uns bons meses vem abrindo o recente set list da banda. É impossível se conter diante de música tão poderosa quanto essa, o grito inicial: “HOJE É O DIA DA REVOLUÇÃO!!”, anunciou a abertura da primeira roda de pôgo da noite que envolveu todos que estavam a pelo menos uns 5 metros a frente do palco.

 

Marcão, Rodrigo Lima e Ric Mastria - Foto: André Torres

 

O repertório da noite seguiu com “Tão Iguais” e “Adeus Adeus”, música do mais recente álbum “Labirinto da Memória” de 2024. Algo que me chamou a atenção nesse show foi como a empolgação do publico e o próprio publico variava diante de músicas novas e de músicas clássicas, em “Adeus Adeus” pôde-se notar que os mais jovens estavam cantando a música enquanto músicas mais antigas, como “Mulheres Negras”, os mais velhos chegavam até mais à frente do palco para cantar. Talvez isso seja algo que evidencie a não obsolescência de uma banda com 34 anos de carreira.

 


Dead Fish - Foto: André Torres

 

Em seguida, veio a sequência de pancadas: “Venceremos”, “Sangue nas Mãos” (Letra absurdamente necessária!), “Diesel” e “Sombras da Caverna”. Por falar em não obsolescência aos 34 anos de carreira, o vocalista Rodrigo Lima, que é o único integrante original da banda, também é outro que impressiona ao dissipar toda sua energia com pulos e saltos no palco já no auge dos seus 50 anos, contagiando o público e fazendo jus ao peso brutal dos instrumentos que regem as músicas. A guitarra tocada de forma excepcional pelo guitarrista Ric Mastria é um show a parte, este que já foi membro da excelente banda “Black Mantra” e toca no Dead Fish desde 2013 é também autor de riffs muito bem elaborados e precisos como já demonstrado nos três últimos álbuns lançados da banda.

 


Ric Mastria Foto: André Torres

 

O show seguiu com a música com o riff de baixo mais marcante possível: “Asfalto”, seguido de “Dentes Amarelos”, música hit do novo álbum da banda e como foi mencionado pelo próprio Rodrigo: “Essa era pra tocar na rádio, se fosse o CPM22 essa ia tocar na rádio, certeza...”. O repertório então tendeu a apresentar o combo das músicas mais clássicas iniciando com “Zero e Um”, “Queda Livre”, “Selfego-factóide” e então seguindo para “Revolver”, “Just Skate”, “Bem-vindo ao Clube” e foi aí que os mais tiozinhos (Como eu por exemplo) deram um passo a frente nos agitos.

 



 


 

O penúltimo bloco de músicas seguiu a mesma linha do bloco anterior, oscilando entre músicas do álbum “AFASIA” (2000), “SONHO MEDIO” (1999), “ZERO E UM” (2004) e “CONTRA TODOS” (2010). A música “Contra Todos”, por exemplo, foi cantada entre palmas e coro como se fosse um hino, com uma letra bem expressiva explorando metáforas que envolvem o mal-estar social de morar na cidade de São Paulo e o quanto é importante estar junto para passar sobre esse mal-estar.  Em seguida, tocaram “Autonomia” e mais uma vez a roda de pogo se abriu. Como várias músicas do Dead Fish, essa música é aquele tipo de canção bomba relógio onde a cozinha toca anunciando um esporro musical. Aliás a cozinha da banda está também muito bem representada pelas linhas firmes de Igor Tsurumaki no baixo que seguram toda a base das canções e as viradas sensacionais do baterista Marcão, baterista este que veio de uma escola do hardcore pesado nos anos 90 por tocar na também clássica banda do ABC Paulista “Ação Direta”

 


Igor Tsurumaki - Foto: Andre Torres

 

O set list fechou com dois grandes hinos clássicos do Dead Fish, as músicas “Sonho Médio” e “Afasia”, que fechou a tampa da panela de rodinhas e inúmeros stage dives que ocorreram naquele pequeno espaço. Dead Fish é uma daquelas bandas “sêniors” que já realiza shows em homenagem aos discos do passado e, como já comentado, é impressionante ver o quanto a energia desses shows permanece vivíssima. Portanto, se o Dead Fish passar pela sua cidade, chegue lá para se abastecer de muita endorfina e mandar eles tomarem no cu também.

 

“EI DEAD FISH, VAI TOMAR NO CU!”

 

 

 

 

SET LIST – DEAD FISH – BDZ (Campinas/SP)

 

1 – A URGÊNCIA

2 – TÃO IGUAIS

3 – ADEUS ADEUS

4 – VENCEREMOS

5 – SANGUE NAS MÃOS

6 – DIESEL

7 – SOMBRAS DA CAVERNA

8 – ASFALTO

9 – DENTES AMARELOS

10 – ZERO E UM

11 – QUEDA LIVRE

12  – SELFEGO-FACTÓIDE

13 – REVÓLVER

14 – JUST SKATE

15 – BEM-VINDO AO CLUBE

16 – PROPRIETÁRIOS DO TERCEIRO MUNDO

17 – MULHERES NEGRAS

18 – CONTRA TODOS

19 – AUTONOMIA

20 – SENHOR SEU TROCO

22 – VOCÊ

23 – SONHO MÉDIO

23 – AFASIA

 

 

 

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